Amargo doce que eu sorvoNum beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.
Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.
(Glaucus Saraiva)

6 comentários:
bonito o texto
bonito o lugar
bonita a foto
bjos ^^
Gostei das fotos, inclusive as dos outros posts tbm!!!!
Olha que moça bonita, que simpática, que charme de pessoa, que cabelo bonito, que olhos lindos...
até é parecida comigo...
Nossa!
Sou eu!
haha
Amei a foto Wii, amei o texto tb, me fez lebrar os tempos do segundo grau...
saudades das nossas loucuras
Bj
ahhhh lembra da água em pó?
:p
viagem pouca era bobagem...
Quase não tenho palavras. Senti algo forte nos versos que não conhecia e gostei muito da foto.
xD
Wii, obrigado novamente.
O mais bonito em poesia é que a descrição dos fatos de quem lê é mais importante do que qualquer origem das palavras presentes nele...
Abração,
Fernando
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