quarta-feira, 23 de abril de 2008

Chimarrão

Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.

Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.

Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.

(
Glaucus Saraiva)


6 comentários:

Netto Moura disse...

bonito o texto
bonito o lugar
bonita a foto

bjos ^^

Luizerah disse...

Gostei das fotos, inclusive as dos outros posts tbm!!!!

Unknown disse...

Olha que moça bonita, que simpática, que charme de pessoa, que cabelo bonito, que olhos lindos...
até é parecida comigo...
Nossa!
Sou eu!
haha

Amei a foto Wii, amei o texto tb, me fez lebrar os tempos do segundo grau...
saudades das nossas loucuras
Bj

Unknown disse...

ahhhh lembra da água em pó?

:p

viagem pouca era bobagem...

Anônimo disse...

Quase não tenho palavras. Senti algo forte nos versos que não conhecia e gostei muito da foto.
xD

Fernando Chuí disse...

Wii, obrigado novamente.
O mais bonito em poesia é que a descrição dos fatos de quem lê é mais importante do que qualquer origem das palavras presentes nele...
Abração,
Fernando